Construção investe em tecnologia para melhorar resultados

O mercado da construção civil, cada vez mais competitivo, exige das empresas um aprimoramento técnico e tecnológico constante. Investimentos em tecnologia e na modernização dos equipamentos são opções quase obrigatórias para quem deseja sobreviver e crescer. “Na conjuntura atual, é preciso que a empresa mantenha um controle rígido das obras, monitorando custos, gasto de materiais, horas trabalhadas, etc. Qualquer perda no meio do caminho pode afetar o resultado final”, diz Cantídio Alvim Drumond, diretor da área de materiais e tecnologia do Sinduscon/MG – Sindicato da Industria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais.
Para contextualizar a nova realidade, Drumond volta aos anos oitenta, quando o país convivia com índices de inflação altíssimos. “Naquela época, o controle dos custos era quase impossível. Além de engolir o dinheiro, a inflação não permitia um planejamento maior que uma semana”, conta. Segundo o diretor, dessa maneira era possível esconder os erros e os desperdícios. “Como o controle era feito no papel, até as tabelas ficarem prontas, os valores já estavam ultrapassados”, lembra.
A estabilização econômica extinguiu a desordem financeira e, a pouca variação dos números evidenciou onde estavam o desperdício e a perda de recursos. O controle por parte dos investidores também cresceu, já que a análise das planilhas ficou simplificada e os resultados apresentados passaram a ter valor real. “Isso forçou as construtoras a transferir o controle para dentro dos canteiros de obra. E, a informática se transformou em ferramenta fundamental nessa tarefa”, aponta.
Entre os recursos mais disseminados nas empresas, Drumond destaca os softwares de controle de estoque; pedido de materiais e acompanhamento de etapas. Já os sistemas de gestão integrada são as soluções mais recentes. Por enquanto, estão restritos às grandes empresas, em função da quantidade e tamanho das obras. Mas, segundo o diretor, os resultados observados são positivos e, com a redução do custo da tecnologia, em pouco tempo, o produto estará presente em todas as faixas de mercado. “Com esses sistemas, a empresa controla todos os processos, desde a compra de cimento, até as horas de treinamento de cada colaborador”, destaca.
Em Minas Gerais, a Santa Bárbara Engenharia e Empreendimentos é uma das empresas que já utiliza os sistemas de gestão. A empresa estruturou grupos de trabalho com profissionais de diversas áreas para mapear as necessidades tecnológicas e acompanhar a implementação e o uso dos programas.
A Santa Bárbara investiu em uma rede privada de dados e voz que mantém todas as obras e escritórios interligados, permitindo a transmissão de informações em tempo real e a comunicação entre as filiais sem custo de interurbano. Com o apoio de softwares de planejamento, controle e gestão de compras e de pessoas, essa rede permite a atualização automática em tempo real das planilhas de controle à medida que os responsáveis por cada projeto entram com os dados locais, permitindo às obras e à matriz o acompanhamento das transações e emissão de relatórios.
A empresa conta ainda com um sistema de Business Inteligence que monitora e atualiza diariamente a situação econômico-financeira da empresa, dando suporte para as decisões de diretoria e o planejamento de investimentos. “Através dessas ferramentas, conseguimos identificar possíveis problemas e elaborar planos de ação específicos com agilidade, além de disponibilizarmos informações confiáveis para nossos clientes”, ressalta Gabriel Mousinho, diretor superintendente da Santa Bárbara.
Os investimentos da empresa em tecnologia já alcançam US$2 milhões, entre o aporte inicial e os custos de manutenção e expansão dos programas. Além da rede, a Santa Bárbara possui ainda com um banco de captação de currículos on line e um controle eletrônico de ponto integrado ao sistema de folha de pagamentos. “Esse programa calcula faltas, atrasos, horas extras e gera a folha de pagamento já com os descontos ou acréscimos necessários”, explica Mousinho.
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